terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Foi por pouco

Ok, confesso: após 22 dias de abstinência, tomei um Nolac da Itambé com TODDY! E a culpa é da TPM. Pronto, falei.



Até que não foi tão difícil chegar até aqui. Mas a TPM me derrubou. Acompanhe o raciocínio: uma pessoa às vésperas de menstruar já fica normalmente irritada e tem uma vontade louca de consumir doces e chocolates. Pois então, a intenção até era boa. Fiquei 40 minutos dentro de um taxi pensando em tomar um leite sem lactose com achocolatado especial.

Chegando em casa, procuro os dois por todos os lados. Nada. Quando entro na área de serviço, vejo a lixeira aberta. E o que tem lá dentro? Sim, a caixa de leite e o pote de achocolatados VAZIOS!!!! Liguei para o marido para entender o que tinha acontecido e ele não sabia do que eu estava falando. Perguntei para minha mãe, que ficou a tarde com minha filha. Nada. Conclusão: obra da faxineira!

Eu de TPM, puta da vida da minha ajudante ter tomado meio pote de achocolatado sem lactose, morrendo de vontade de tomar um leite e já com todos os sintomas da intolerância por causa dos hormônios... chutei o balde mesmo. Enchi o copo e tomei 25 gotas de luftal, logo em seguida. Me senti aliviada e sem nem um pouquinho de culpa.

De qualquer forma, já foi uma grande vitória ficar todo esse tempo sem lactose. E, de um jeito ou de outro, foi um aprendizado especial. Descobri várias alternativas para não morrer de depressão e vi que é possível conviver com a intolerância sem morrer de fome.

Tá certo que algumas coisas não têm muito gosto. Mas dá para substituir grande parte da alimentação. Pra falar a verdade, a gente descobre que existe muita coisa que a gente já comia antes - e gostava - sem leite. E, se o leite for imprescindível, tem a opção de soja ou o próprio leite de vaca sem lactose.

O próximo deslize vai ser uma pizza. Não vejo a hora.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Carinho da família

Nesse fim de semana, dei um pulo em Ipatinga, na casa do meu irmão. Chegando lá, eis que recebo esta linda surpresa:

Cesta de "leite sem leite", como diz minha sobrinha.

Tem como não amar as pessoas que fazem um carinho desses por você? 

Detalhe: o achocolatado Magro é uma delícia! Tomei um litro de leite no fim de semana! Sem lactose, é claro.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Comece o dia feliz

Sempre tomei leite quente pela manhã. Mesmo em tempos de calor, como agora. Parece que dá um tapa no sono, um pique diferente para o dia.

Não sou de tomar chá ou café. Nunca fui muito fã. Com isso, fica difícil achar opção que não seja gelada. Suco, iogurte sem lactose, leite de soja... tudo frio.

Comecei a sentir muita falta do leite quentinho antes de ir trabalhar. De repente, hoje, me veio uma luz: Queimadinha!!! Como não pensei nisso antes? Eu adoro queimadinha! E dá para fazer com leite zero lactose.

A receita é simples e deliciosa:

Queimadinha

1 copo de leite zero lactose (usei o da Piracanjuba)
2 colheres de açúcar
canela em pó a gosto

Coloque o açúcar na panela até caramelizar. Quando estiver uma calda marronzinha, jogue a canela e o leite. Misture até derreter as pedras de açúcar.


Queimadinha, para começar bem o dia


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Chocolate!!!!!!!!!!!!

Depois de uma semana recebendo e pesquisando receitas sem lactose, ontem foi dia de testar a primeira. Até pensei em fazer um bolo gelado, molhado com guaraná. Mas não resisti e acabei fazendo um bolo de chocolate mesmo.

Tem muitas receitas bacanas por aí, mas os ingredientes, na maioria das vezes, não são fáceis de achar em qualquer supermercado. Optei então por fazer uma receita simples, com ingredientes tradicionais. A única diferença foi o chocolate em pó, que usei um sem lactose. Você encontra em casas de festas ou nessas lojas de balas do centro da cidade. Comprei no Rei do Chocolate por R$ 9,90 (200g)

Opção para os chocólatras intolerantes à lactose

A receita estava gigantesca, então resolvi fazer uma adaptação. Vamos lá:

Bolo de chocolate sem lactose

2 xícaras de farinha de trigo;
2 xícaras de açúcar cristal;
1 xícara de chocolate em pó (sem lactose);
2 ovos;
1/2 xícara de óleo;
1 xícara de água morna;
1 colher de sopa de fermento em pó;
1 pitada de sal;
1 pitada de canela.

Misture os ingredientes secos: farinha, açúcar, sal e chocolate (menos o fermento e canela). Peneire os ingredientes antes de colocar na bacia, para que fique com uma boa textura, sem bolinhas. Acrescente os molhados: ovos, água e óleo. Misture bem, sem utilizar a batedeira. Por último, acrescente o fermento com a canela, dando uma leve misturada. Coloque numa forma média retandular ou redonda. Leve ao forno por aproximadamente 30 minutos.

Resultado

Já pela massa dá para ver que a receita é boa. Uma excelente textura e cheirinho delicioso. O bolo não cresce muito, mas fica aerado e com a casquinha crocante. Não é nada enjoativo. E não senti falta do leite. Muito gostoso!

Bolo de chocolate sem lactose. Testado e aprovado!

Para acessar a receita original, clique aqui.


domingo, 12 de janeiro de 2014

Tentação em pequenas doses

Ontem passei pelo teste de fogo da lactose: festinha de aniversário com bolo e docinhos. Confesso que quase caí em tentação. Sorte que a aniversariante está acompanhando o blog e providenciou um medalhão de frango para a pobre coitada aqui. Meméia, você me salvou!

Acho que é a primeira vez na vida que vou a uma festinha sem provar essas gostosuras. Sou tipo criança, daquelas que ficam na beirada da mesa esperando os "parabéns" para atacar os docinhos. E, se a pessoa insistir muito, faço marmita pra casa!

É incrível como, por onde a gente passa, há pequenos pecados nos rodeando. De manhã fomos ao Centro de BH (eu, meu marido e minha filha) comprar um chocolate solúvel sem lactose. Aproveitamos para passar no shopping e ver uns presentinhos. Bateu a fome. Marido foi na lanchonete comer um pastel assado e eu - que amo essas porcarias - fiquei só na vontade. Afinal, o objetivo da ida ao Centro era justamente providenciar algo em que eu pudesse me sentir menos frustrada.

À tarde, filhota pede um leite com toddy. Preparo um delicioso copo para ela e tomo um de leite de soja com o chocolate solúvel recém-adquirido. Um olho no peixe, outro no gato. Não é a mesma coisa, não. Na verdade, passa longe. Mas me senti psicologicamente confortada. E orgulhosa de ter passado firme por mais uma provação.

Grande provação da semana. Vade retro, lactose!



sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Ziquiziras da idade

O ano de 2014 veio dizer que é hora de cuidar de mim. Além da intolerância à lactose e de um cisto sinovial que insiste em doer no meu pulso, fui hoje à reumatologista por causa de dores lombares e no glúteo. Diagnóstico: "Artrite Psoriásica". Isso mesmo! Psoríase nas juntas! 

A psoríase é uma herança genética do meu pai. Eu já tinha manifestações na pele (cotovelo e casco cabeludo). O que eu nunca imaginei é que isso poderia me dar dores na bunda! Pois então, estou com uma inflamação nas vértebras (espondilites). Um tanto quanto incomum.

Só 2% da população do mundo tem psoríase. Destas, apenas 10% apresentam artrite psoriásica (que une manifestações cutâneas e articulares). Existem 5 tipos de artrites psoriásicas. Fui premiada com o mais raro de todos, o que atinge a coluna. Ou seja, fui praticamente escolhida a dedo pelo Papai do Céu.

A boa notícia do dia é que eu já consigo murchar a barriga!!! As calças ainda me apertam. Mas acho que agora é pura gordice.

Comilança do dia...

7:00
Café da manhã
Iogurte de ameixa Lacfree (Verde Campo)
10:00
Lanche
Suco de morango, kiwi e soja + cookies de castanha pará
12:50
Almoço
Arroz, feijão, bife de fígado e salada
Sobremesa
Pé de moleque Yoki e jujubas
15:40
Lanche da tarde
Bolo de cenoura + Suco de morango, kiwi e soja
19:30
Lanche da noite
Vitamina de banana com leite Piracanjuba Zero Lactose
23:50
Hora de dormir
Leite de soja

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Doçuras da dieta

Quando o médico disse que eu tinha que ficar sem tomar leite por um mês, a única notícia boa é que eu poderia perder alguns quilos. Só que não. Hoje descobri que dá para ser gorda sem lactose também.

Acho que tenho alguma ligação familiar com as formigas. Só pode ser. Amo doces na mesma proporção que amo leite. E ficar sem lactose está me fazendo compensar a tristeza na busca pelas guloseimas mais calóricas.  

Ainda não provei todos, mas já descobri um monte. Pé de moleque com rapadura, brigadeiro com leite de soja, suspiro, jujuba e até umas receitas bem legais de tortas.

Mas a grande – e deliciosa – descoberta do dia foi: CREME DE AÇAÍ!!!!  Tem um quiosque no prédio bem aqui do lado. Não é dos melhores, não. Mas nesse calorzão de janeiro, vai salvar.

Ah, e agradecimento especial à minha mãe, que fez um delicioso bolo de cenoura para o meu lanchinho da noite. Obrigada, mãe! Arrasou!


 
Bolo de cenoura: outra opção saborosa.
Creme de açaí: boa alternativa para o verão.


Comilança do dia...


7:10
Café da manhã
Iogurte de morango Lacfree (Verde Campo)
9:20
Lanche
Castanha de caju e uvas passas
12:50
Almoço
Salada (cenoura, beterraba e vagem), arroz, feijão e bife de porco.
Sobremesa
Gelatina de cereja
15:40
Lanche da tarde
Creme de açaí com banana e granola
19:30
Lanche da noite
Bolo de cenoura com café
23:50
Hora de dormir
Leite de soja

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Só por hoje

Comecei a absorver o lema “um dia de cada vez”. Se for pensar em 30 dias de privação, a gente pira. E nem é tão ruim assim. Pelo menos, ontem não foi.

Acordei orgulhosa de ter conseguido ficar 24 horas sem leite, mas consciente de que a luta estava no primeiro round. O desafio do menu é realmente tenso.

Há até um número razoável de produtos sem lactose, mas inevitavelmente caros. E, se não forem essas pequenas porções de vida, o cardápio fica bem restritivo.

De acordo com orientações do gastro, minha alimentação, em 30 dias, deve se limitar ao seguinte:

Lanches – Leite, só os de origem vegetal. Alforria para os chás, sucos ou café. Pão, só os de sal (das padarias de bairro, porque as “gourmets” colocam leite) e alguns sírios (ver embalagem!). Biscoitos? Praticamente todos levam leite. Também é preciso olhar a embalagem. Manteiga ou margarina, nem pensar. A opção é fazer um pão na chapa com azeite e orégano ou então usar geleias de frutas. Evitar embutidos (pois também podem gerar desconforto).

Refeições – Arroz, feijão, carne e verduras/legumes. Nada de strogonoff, pizza, sanduíches, parmegianas, gratinados.

Sobremesas – só as de frutas ou gelatinas.

Enfim, sem muitas opções. O cardápio de hoje foi praticamente o mesmo de ontem. Com exceção da vitamina de banana com leite sem lactose, da Piracanjuba. Sucesso absoluto! PIRACANJUBA, te amo!
  
Quanto ao pão com mortadela, definitivamente não me fez bem. Depois de meia hora do lanche, estava eu toda inchada de novo. Melhor cortar os embutidos da minha lista de permitidos.

A vantagem do blog é que eu encontrei um monte (dezenas!) de apoiadores. O incentivo e a solidariedade das pessoas têm me ajudado muito. Já recebi inúmeras mensagens com dicas de produtos, medicamentos, ou, simplesmente, dando uma força. Sem isso, acho que eu teria desistido no primeiro dia. Obrigada, pessoal!

Meu marido também deu uma superforça hoje. Comprou frutinhas, sachezinhos de mel, paçoca e pé de moleque, tudo sem lactose. Gracinha! Vivo sem leite, mas não vivo sem você, meu amor!!! S2
  
Doce surpresa do marido: Kit Antidepressão!

 Comilança do dia...

7:00
Café da manhã
Cookies de mel e soja (Jasmine) + suco de pêssego
10:00
Lanche
1 pão de sal com mortadela + suco de graviola
12:50
Almoço
Arroz com brócolis, farofa e maçã de peito com mandioca cozida
Sobremesa
Gelatina de cereja
15:20
Lanche da tarde
Suco de morango e Kiwi com soja (Shefa) + cookies integrais castanha do pará (Jasmine)
17:00
Mais um pouquinho de suco
21:00
Lanche da noite
Vitamina de banana com leite Zero Lactose (Piracanjuba)
Uvas passas

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O primeiro dia sem leite

Acordei às 6:30, atrasada para uma avaliação de fisioterapia. Em qualquer dia normal, eu tomaria um supercopo de leite com toddy e sairia voando. Mas não, era meu primeiro dia sem lactose. E não dava tempo de preparar um lanchinho especial.

Abri meu primeiro frasco de iogurte Lacfree, tomei um copo depressa. Cheguei bem no horário da fisioterapia.  Me sentindo um pouco gorda, mas sem saber ainda se eram resquícios do fim de ano ou da despedida do meu leitinho querido.

Fiz uma sessão leve de exercícios. Saí de lá bem disposta às 8:55, morrendo de fome. Passei na padaria, para comprar alguma coisa qualquer sem lactose. Talvez um pão de sal e geleia. Me esbaldei na Boníssima! Tinha até cookies de chocolote sem adição de leite e derivados! Fiquei animada.

Munição para a semana

Cheguei no serviço com duas sacolas cheias e mandei ver em um pão de sal com mortadela, acompanhado de suco de graviola. Não dá para cortar tudo de uma vez, né gente? A mortadela fica para depois. Delícia! Fome saciada, bora trabalhar!

Duas horas depois, ar preso no lado direito do abdomem.  Será que foi a mortadela? A fisioterapia? Colocaram leite no pão de sal? Era ainda o leite despedida de ontem? Ou era simplesmente a calça estupidamente apertada que eu insisto em continuar usando?

Enfim, hora do almoço. Que queimação no estômago... Será fome? Não tinha muita opção de salada no restaurante. Então fui no básico: alface, arroz integral, feijão, bife de frango e, para não dizer que faltou caloria, um ovo frito!

Passou um pouco o desconforto, mas fiquei me sentindo “empanzinada” até por volta das 15h. Foi quando a fome chegou de novo. Corri nas opções adquiridas da Boníssima. Suco de soja sabor morango e kiwi + cookies integrais com castanha do Pará. Nada mal.

Às 17:30 já foi batendo uma ansiedade... Ai que vontade de mastigar alguma coisa!!! Limpei a bolsa. Distribuí as barrinhas de cereais e biscoitos entre as colegas de “baia”. Guardei dois bombons na gaveta para um momento de desespero. A crise de abstinência começou a dar sinais. Abri um chiclete.

Vade retro, lactose! Chegando em casa, preparo uma vitamina de banana com leite de soja.  Será que dá certo?  Não foi dessa vez que descobri. Minha filha tinha devorado as últimas três bananas da fruteira. Tomei um copo de leite de soja puro, só mesmo para matar a fome.

À noite, foi batendo a depressão. Vontade de comer tudo que não podia. Resolvi limpar o armário da cozinha. Separei  um panetone e um bolo para dar ao primeiro ser humano que aparecesse na minha frente. Foi a minha mãe.

Às 20:00 eu não estava mais aguentando. Belisquei algumas uvas. Não passou a vontade.Comi algumas castanhas. Fiz mamadeira para Beatriz. Preparei uma gelatina. Meu marido chegou às 23:00 e foi tomar um leite. Eu só olhando. Fui dormir às 23:30, com outro copo de iogurte Lacfree. Deitei triste na cama.

Comilança do dia...

7:00
Café da manhã
1 copo de iogurte de morango Lacfree (Verde Campo)
10:00
Lanche
1 pão de sal com 1 fatia de mortadela
1 copo de suco de graviola (Green Day)
12:50
Almoço
1 colher grande de arroz integral
1 colher rasa de feijão
1 bife de frango grelhado
1 colher de alface
1 ovo frito
Sobremesa
Banininha diet
15:40
Lanche da tarde
1 copo de suco de morango e Kiwi com soja (Shefa)
4 cookies integrais castanha do pará (Jasmine)
19:00 às 23:30
Lanche da noite
19:00 - 1 copo de leite de soja (Shefa)
20:30 - Uvas verdes
22:00 - Castanhas de caju
23:30 - Iogurte de morango Lacfree (Verde Campo)


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Existe vida sem lactose?

Cresci no interior de Minas, tomando leite direto da fazenda. Minha mãe colocava o caldeirão na janela e o leiteiro passava todo dia cedinho, deixando dois litros sempre fresquinhos. A gente colocava para ferver e ficava vigiando para não derramar. Era só virar as costas e... pronto! Estava feita a bagunça.

Eu odiava limpar o fogão quando o leite entornava. Mas amava todo o resto. O toddy quentinho antes de ir para a escola, a manteiga feita em casa, o pãozinho de nata da tia Inês, o bolo da dona Nininha, a broa da Maristela, o pavê da Dani, o queijo do Roberto e até o chup-chup de creme de ovos que nunca mais vi em lugar algum.

Antes de existir o microondas, eu esquentava o leite num caneco de alumínio. Tinha um ponto exato da temperatura, sem erro. Quando começava a borbulhar as bordas, eu desligava o fogo. Era a primeira ação da manhã. Tomava tudo de glut-glut, praticamente de olhos fechados, ainda caindo de sono. Só depois eu lavava o rosto, escovava os dentes e corria para o colégio.

Cresci (não muito, rs), mas continuei feito uma bezerra, tomando praticamente um litro de leite diariamente. Isso, sem contar os derivados e todo o resto que leva queijo ou leite condensado. Em qualquer casa da família por onde passo, todos já sabem como me agradar. Um copo de leite com toddy (e açúcar!), de preferência com bolinhas de chocolate!

Lembro que, quando eu já estava na faculdade, a empregada da minha tia ficava incomodada porque eu só tomava leite e comia farofa. Era minha base alimentar. A dona Geralda até hoje encontra com a minha tia e pergunta se eu tenho comido melhor. Pois é, dona Geralda, acrescentei algumas coisas no meu cardápio. Mas nunca tirei o leite da dieta. Nem a farofa.

Meu marido também ama queijo e leite com toddy. E minha filha segue o mesmo caminho. Quer me ver irritada é chegar em casa depois de um dia pesado e não ter um leite geladinho para beber. Ele me traz paz, aconchego, conforto, felicidade. Não é simplesmente um alimento para matar a fome. É um resgate da memória afetiva, um abraço, um carinho.

De uns tempos para cá, porém, comecei a me sentir um pouco incomodada. Intestino irregular, muitos gases, barriga inchada, queimação no estômago. Procurei um gastro, que me pediu teste de intolerância à lactose. Morrendo de medo do que podia estar por vir, me fiz de boba e não levei o resultado ao médico.

Um ano se passou. Mas o desconforto não melhorou. Pelo contrário. Me sentia cada vez mais indisposta e estufada. Cheguei a fazer até teste de gravidez, de tão estranha que estava me sentindo. Nada. Precisei voltar ao gastro.

Enfim, diagnóstico confirmado. Intolerância à lactose. Mas como? Por que isso agora, depois de mais de 30 anos tomando leite sem parar? Segundo o médico, perfeitamente normal e possível. Mas, para mim, sinônimo de desespero. Não conseguia parar de pensar em como seria minha vida sem lactose. “Eu não vou sobreviver”, pensava.

Cheguei a cogitar a possibilidade de passar mal para o resto da vida, mas não cortar o leite do menu. Mas, ok, é ano novo. Vou tentar.

“São 30 dias de zero lactose. Sete dias, no máximo, de superdosagem. Depois, tentamos uma dieta de redução”, orientou o médico. Comecei a pesquisar alternativas. Leite de soja, produtos especiais, receitas sem leite.  E comecei hoje minha dieta da tortura.

Estou sofrendo por antecipação, só de pensar em tudo o que eu não posso comer.  E como não vou ter meu leitinho para afogar as mágoas, criei este blog.

Não sei se existe vida sem lactose, mas vou descobrir e contar para vocês.

Carroça de Leite - Beth Fonseca