Terminou hoje a segunda fase do meu “teste de lactose”, a da
superdosagem. Depois de trinta dias de zero lactose (ou quase zero!), fiquei
uma semana comendo e tomando tudo que tem leite – e mais um pouco.
A estreia foi no aniversário dos meus sobrinhos, com direito
a bolo de chocolate e muitos, muitos docinhos. Mas o engraçado é que, por incrível
que pareça, eu não me empolguei tanto com a possibilidade de consumir tudo
aquilo que fosse possível.
O primeiro copo de leite com toddy desceu até meio enjoativo.
Não consegui tomar inteiro. Talvez até pelo medo de me sentir indisposta de
novo. A pizza, que eu estava louca para
comer, só criei coragem depois de três dias. E, aos poucos, fui voltando ao meu
consumo normal – que era naturalmente exagerado.
Se eu senti diferença nesse período? Sim, senti. Cheguei ao
final do mês de zero lactose bem mais disposta, com menos gases e com as calças
apertando menos na cintura. O intestino passou a funcionar melhor e meu marido
achou até que eu emagreci. Em alguns dias esporádicos, ainda sentia gases e desconforto.
Mas o saldo final foi bem positivo.
Nos 10 dias de superlactose, as calças voltaram a me apertar
como antes e o intestino também voltou a ficar preso. Toda vez que eu abria a
geladeira, pensava duas vezes antes de tomar o leite integral. Parecia
impossível, mas eu QUERIA tomar leite de soja.
Agora entro na terceira fase, que é a de encontrar um
equilíbrio para o consumo. Acho que vai ser legal. Estou animada. A dica do
médico é comer menos lactose de cada vez, espaçando as doses ao longo do dia,
para facilitar a digestão. Outra dica é comer queijos mais curados e iogurtes
mais espessos, que têm uma concentração menor de lactose.
Segundo o gastro, não há um limite exato para o consumo e a
tolerância depende de cada organismo. “Se você comer um pedaço de queijo e
passar mal, da próxima vez você come meio. E vai testando”.
Questionei sobre o uso da enzima lactase, que hoje são
encontradas em farmácias e consumidas na hora de ingerir alimentos que contêm leite.
Mas ele disse que essa é uma quarta fase, caso eu não consiga encontrar o tal
equilíbrio.
Enfim, depois de tanto esforço, ainda levei bronca porque
consumi muito açúcar durante a dieta e até porque comi produtos lácteos sem
lactose. Mas, cá pra nós, fiz conforme ele orientou. Olhei os rótulos e tomei
cuidado para não comer NADA com lactose (exceto em um dia de TPM atacada).
A explicação é que os produtos (mesmo lacfree) podiam conter
algo que me fizesse mal – que não fosse a lactose. E que eu posso ter me
sentido indisposta alguns dias justamente por esse fator, por hormônios, ou até
estado emocional alterado. Perguntou se
havia alguma coisa específica que eu comia que me deixava assim, mas não
consegui identificar nada. Pediu, então, um teste de glúten, que eu tô rezando
para dar normal.
De qualquer forma, não foi um trabalho perdido. Deu para ver
que a lactose interfere, sim, no meu bem-estar e evitá-la pode ser um primeiro
passo para uma vida mais leve.
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| Talvez eles gostem só um pouquinho de mim... |